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2:54 AM
Oscar, Cinema e Geopolítica
Eu sempre fui um completo apaixonado por filmes, realmente um cinéfilo. Se os dias fossem mais longos e a vida menos corrida, eu veria todos os filmes do mundo, até os péssimos. Assim é que eu jamais deixo de assistir o Oscar, mesmo sabendo que é uma das pemiações mais "Fakes" desse mundo. Quem me acompanha no Twitter sabe o quanto eu sempre reclamo dessa enganação, mas eu procuro imaginar que o Oscar é mais um dos filmes (com roteiro, atores, diretores) e assim até consigo ver alguma diversão, ainda que eu saiba que é tudo armado.

Nesse ano o Oscar foi realmente histórico! Eu estou até agora empolgado porque, embora a maioria não tenha conseguido entender, essa foi uma apresentação única! E mais do que isso: Foi reveladora! Se antes já estava evidente toda a armação do Oscar, nesse ano só faltou usar um megafone e uma melancia no pescoço para que isso se tornasse ainda mais claro!

A princípio tudo corria essencialmente como de costume no Oscar, até que, em determinado momento na apresentação dos indicados ao prêmio de melhor filme, quem surgiu para fazer essa apresentação foi ninguém menos do que a primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, em uma transmissão por teleconferência, direto da Casa Branca. E para não deixar dúvidas sobre as intenções por trás dessa aparição, atrás dela estavam vários oficiais das forças armadas estadunidenses (mesmo estando ela segura na Casa Branca).

Se você ainda não conseguiu captar o significado, veja qual foi o premiado e qual foi o pequeno discurso da Michelle Obama antes da entrega do prêmio: "Eles nos fazem lembrar que podemos superar qualquer obstáculo se buscarmos no fundo do nosso ser força e coragem para lutar". E o premiado foi o filme que melhor se encaixa em todo o contexto islamofóbico dos EUA: "Argo". Um filme que não deixa dúvidas sobre sua função de propaganda de guerra.

A aparição da Michelle Obama, com vários oficiais, discursando sobre força e coragem para lutar, e a premiação do filme Argo funcionam como um selo de aprovação a toda a distorção histórica que faz parte desse filme. Isso é pura Geopolítica!

Não que a relação entre Cinema e Geopolítica não fosse evidente antes da aparição da Michelle Obama no Oscar (quem conhece Geopolítica sabe sobre essa relação), mas serviu para não deixar dúvidas. E o melhor de tudo é que foi logo depois da reeleição do Barack Obama, o que serve para que até os mais ingênuos não confundam com busca por votos.

Infelizmente, embora isso tenha ficado bastante evidente e não seja surpresa para quem conheça pelo menos um pouco sobre Geopolítica, no Twitter a maioria dos comentários eram de que a aparição da Michelle Obama era estranha, esquisita, incoerente. Ficaram com um nó na cabeça, não conseguiram captar a mensagem nas entrelinhas. Na verdade, nem mesmo a imprensa publicou comentário algum que se diferenciasse dos que se podia ler no Twitter. Apenas alguns poucos twiteiros (eu contei apenas 14, a maioria falando em espanhol) conseguiram compreender e logo mencionaram a relação com a Geopolítica.

Vejam o seguinte: É mais fácil você invadir um território começando pelas mentes e corações. O ex-presidente estadunidense George W. Bush até repetiu muito em seus discursos: "Nós estamos lutando para conquistar os corações e mentes". A todo momento ele se referia aos corações e mentes no mundo islâmico. E é isso que a indústria do Cinema faz. Basta notar: Quantos brasileiros amam os EUA? Quantos até choram vendo a bandeira dos EUA tremulando nos filmes? Quantos se voltariam CONTRA o Brasil? ... Se você está jogando xadrez, você não vai logo de cara tentar pegar o rei do adversário, tem peças para eliminar antes disso.

A Geopolítica é a ciência da estratégia, da manipulação, e da ação política. Para os governos e em especial para as forças armadas, essa é a maior de todas as ciências. Tanto que grande parte dos livros são militares. Essa ciência diz respeito às disputas de poder no espaço mundial, o que implica em dominação (não apenas de territórios, mas até mesmo dos corações e mentes; de qualquer coisa que signifique poder), independente do método, desde que alcance o objetivo. Até a moda tem relação com a Geopolítica. A música, as ciências, as competições esportivas... e até o filme que você viu ganhar o Oscar.

Muitos só assistirão o filme Argo por ter sido premiado com o Oscar de melhor filme. Essa é a função do Oscar: Serve como estímulo para que se torne referência. Essa será a referência nas mentes e corações no momento em que o presidente dos EUA discursar sobre o "mal" a ser combatido. E vocês podem notar que o tom utilizado pelos presidentes dos EUA ao longo da história é sempre esse: A luta entre o "bem" e o "mal". O adversário é sempre o mal, não importa qual seja esse adversário. E qual é a reação das massas ao redor do planeta? Sempre em sua maioria de apoio ao discurso e às ações do presidente dos EUA. Resultado da eficiente utilização dos mecanismos de conquista dos corações e mentes (música, cinema, esportes, etc).

Nesse ano haviam filmes melhores do que Argo concorrendo ao mesmo prêmio (Lincoln era melhor), mas Argo não precisava ser um bom filme para vencer, porque já o fizeram com a intenção de premiá-lo e colocá-lo em destaque. De fato, Argo foi projetado para estimular a fobia contra o Irã. E isso não é difícil de perceber, considerando a quantidade de distorções históricas
e o quanto são desnecessárias. Argo foi feito para que a maioria tenha em mente a idéia de luta entre bem e mal enquanto os EUA invadem o Irã e outros países árabes.

O interesse real dos EUA são as riquezas minerais e o petróleo dos países que ataca (e o Irã tem isso de sobra). Isso pode ser visto nesse excelente livro de Geopolítica que pode ser lido gratuitamente online ou fazendo o download também gratuito: http://pt.scribd.com/doc/38507142/Livro-Geopolitica Esse
livro foi escrito com base na exposição feita pelo autor para a Escola Superior de Guerra. Logo no prefácio do livro já se vê a frase "as ações recentes da política externa dos Estados Unidos da América, suas razões impregnadas da necessidade de energia, em especial do petróleo." E na página 11 o assunto começa a ser desenvolvido detalhadamente. De fato, não é somente esse livro que diz isso, qualquer livro de Geopolítica diz o mesmo, porque fato é que desde a II Guerra Mundial, na qual os EUA consumiram a maior parte de suas fontes de petróleo, a política e as ações militares dos EUA giram em especial em torno desse interesse em petróleo. Mas o mundo vê como uma luta entre bem e mal. Isso porque com os filmes o governo dos EUA leva grande parte do mundo a apoiar no momento em que atacam uma região.

O interessante é que, finalmente, essa relação entre Cinema e Geopolítica se tornou mais do que visível, com a aparição da Michelle Obama no Oscar para a entrega do prêmio de melhor filme para Argo. É realmente histórico, um momento único, absolutamente empolgante! E agora também já temos a confirmação sobre os eventos que se seguirão. E você? Você apoiará o governo dos EUA em sua falsa "luta contra o mal", depois de saber de tudo isso? Lembre-se: O próximo filme pode ser sobre o Brasil... Quem sabe façam um filme sobre o Brasil planejando explodir o mundo e os EUA invadindo e salvando a humanidade do perigo causado pelos perversos brasileiros. Em seguida invadem esse país, roubam o petróleo e matam a tua família, com aplausos ao redor do mundo. Eu prefiro jamais aplaudir o que o governo dos EUA faz.

Observação: Eu NÃO odeio estadunidenses, sou contrário somente a toda essa sujeira feita pelo governo e pelas forças armadas dos EUA. Quando falo em "EUA" refiro-me somente aos que estão no governo e nas forças armadas de lá (e também aos bilionários que estão por trás das cortinas). Eu também não apóio a esmagadora maioria do que o governo do Brasil faz, não preciso gostar do governo para amar o meu país. E não preciso gostar de todos os seres humanos para amar a humanidade. Eu amo o meu país e amo a humanidade (embora isso também não deva ser visto como uma obrigação). Quanto aos estadunidenses: São como qualquer outro povo (descartadas as proporções), ou seja, tem os conscientes e os alienados; tem os que se importam com os demais e tem os egoístas; tem os inteligentes, os não tão inteligentes, e os burros... Enfim, não são todos idênticos e eu não os julgo como se fossem todos idênticos. Tem os estadunidenses que sabem muito bem o que o governo dos EUA faz e, mesmo assim, não se importam com quem sofre. Eu não preciso gostar de gente podre e, portanto, esses podres eu odeio mesmo. Mas os alienados não tem total culpa e os que se importam merecem ser respeitados. Creio que isso resumiu bem as diferenças e não deixa espaço para dúvidas. =)

Ricardo Nester
Views: 1317 | Added by: Nester | Rating: 4.2/5
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